KindS of Blue...

terça-feira, 15 de março de 2011

Ébrio & Idílico Nº 1


Se uma vez me disseram
que a paixão era errática
e o coração, medido,

esqueceram de avisar
o cuidado de se ter
ao cruzar a ponte

que separa o rio romântico
do vulcão passional.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Encenar é viver?

O show deve continuar.
Esse show da vida, quase sempre
sem platéia nem aplausos calorosos...

mas, com certeza, cheio de trabalho
e suor por detrás das cortinas,
de seus panos a quem o coração
recorre pra enxugar seu suor
e por onde o corpo há de transpirar
o todo necessário para o ato seguinte,

curiosamente intitulado:
"Apesar de tudo, viver".

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ao meu amigo André França:


O que haverá de tão temível
se temos a amizade e já cruzamos todas
as fronteiras da falta de palavras?

O medo já se foi, irmão,
e teremos sempre um amanhã
da nova estrada.

Vem, segura minha mão de novo
e não solta mais.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Se vão num estalar de dedos:







O diâmetro do tempo
A cicatriz de seu efeito
E o arco da saudade:

Santíssima (?) trindade.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pisar com força não adianta


Porque não passam de passos na areia, meu bem,
aquilo que a gente só foi por uns dias.
aquele caminho marcado e o castelo levantado -
frágil brincadeira de sonhar e se banhar
de sol e de mar.

Mas o mar volta....
Sim, sempre volta pra nos fazer
querer deixar mais passos ingênuos
nas areias da eternidade!

E o sol também
fazendo brilhar cada cor
dos momentos que somente
nossos olhos fotografam.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

"Baby"

I kept my promise, and I'll always do.
There's no one who deserves being called this way.


"To the laws your hand writes,
I undoubtedely abide"

Dreamt of you tonight.

Kisses,


Me

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Visibilidade

O cara era de muitos "amigos". Saídas - ainda sem bebida - sushis, shoppings, aniversários das meninas (onde poucas pareciam dar bola pra ele) e lugares influentes.
Isso era adolescência, e ele ainda não despertara para o sentido de status. Os amiguinhos viajavam pra Europa, compravam coisas caras, seus pais eram influentes, bla bla bla...

E ele, humilde. Se sentia tanto excluído quanto "sem sal".
Por quê? Tantas coisas boas que tinha a ensinar, tanto de poesia, artes, literatura, astronomia, cultura pop, tecnologia...! Não era isso que lhe exigiam, estar sempre "antenado"?
Faltava-lhe a beleza? Talvez não. Era magro, alto, porém com feições de menino, apesar da maturidade mais avançada que de qualquer outro no grupo.

Faltava-lhe aquilo que os outros tinham e ele não sabia explicar.
Acabou a adolescência, todos vão pra faculdade e cada um procura sua turma.
Por quê? Quando foi que se separaram?
Hoje, têm necessariamente de se comunicar por este mundo virtual, tão seco e frio?
Vivem na mesma cidade, a maioria... alguns já trilharam o caminho do sucesso e estão se aventurando mundo afora. Estudaram em faculdades ricas e realmente já tinham seu destino escrito.


Esse mundo é cheio de caminhos, atalhos, bifurcações.
Por quê a gente têm de se perder, mesmo estando tão perto?
Será a vida uma história escrita com um capítulo obrigatório sobre separação, outro sobre ilusão? E, de bônus, outro intitulado "as pessoas não gostam realmente de estar perto de você pois você é descartável"?

Há de se pensar numa forma de reunir todos aqueles que, um dia, passaram momentos felizes juntos. E que sem razão aparente, hoje distanciaram-se em assuntos e costumes, mas não geograficamente.

E neste dia, talvez numa mesa de bar, rir de todas essas razões ridículas que os separaram.